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O Dia Internacional da Mulher na História

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de Março e que faz 100 anos em 2010, ao contrário do que se pensa, não foi instituído em homenagem a trabalhadoras mortas num incêndio numa fábrica em NY em 1911. O evento, na real, tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi adotada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.

A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi proposta na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque.
Muitos outros protestos ocorreram nos anos seguintes, destacando-se o de 1908, quando 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque, exigindo a redução de horário, melhores salários e direito ao voto.
O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América, por iniciativa do Partido Socialista da América.
Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhagem, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de Março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

Poucos dias depois, a 25 de Março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores - a maioria, costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo como sendo o fato que deu origem ao Dia Internacional da Mulher.

Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro.
Após a Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e se tornaria numa ocasião em que os homens manifestavam a simpatia ou amor pelas mulheres da vida - uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres. O dia permanece como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldávia e Ucrânia).
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas esmoreceu, sendo revitalizado pelo movimento feminista da década de 1960.
1975 foi designado como o Ano Internacional da Mulher, e a partir de 1977, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional da Mulher.

Fonte: Wikipedia

Mais detalhes sobre o Incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inc%C3%AAndio_na_f%C3%A1brica_da_Triangle_Shirtwaist

O Dia Internacional da Mulher na História - 2

Apesar da cultura marcada pelo foco patriarcal, as mulheres aqui e ali conquistaram espaço e empoderamento em alguns contextos ao longo da História. No relato a seguir, de cunho antropológico, vemos vários exemplos, como Hilda de Whitby, que no século VII fundou sete mosteiros e conventos, ou a rainha Leonor, Duquesa da Aquitânia, que exerceu relevante papel político na Inglaterra e fundou instituições religiosas e educadoras. Entre outras mulheres empoderadas, consta também o famoso ícone medieval, Joana D'Arc, jovem chefe guerreira, que conquista oito cidades em três meses e apesar de ferida continua a combater.

As civilizações antigas (Egito, Babilônia, Grécia, Roma, entre outras) foram prolixas em cultuar a mulher e a feminilidade ou as deusas como sacerdotisas (Diotima de Mantinea), sábias, filósofas, matemáticas (Hipátia de Alexandria, Theano) pitonisas, amazonas (ou guerreiras). Este culto insere-se dentro de um contexto social e religioso cujas raízes remontam aos registros pré-históricos do Paleolítico e do Neolítico ou ainda a uma fase informe do mundo, quando surgiu o primeiro sentimento religioso da humanidade, que era o de adoração à Deusa Mãe ou Mãe Terra. A religião se expressava pela adoração à Terra, à Natureza, aos ciclos e à fertilidade.
Segundo o historiador Raimundo Campos, os clãs do Paleolítico eram matriarcais, uma vez que os homens em atividade de caça, viviam se deslocando, cabendo às mulheres a consolidação da sedentarização e do primeiro registro histórico de um clã e de um governo familiar.
Esta abordagem mítico-religiosa prevaleceu entre as civilizações antigas e nos respectivos mitos. Descobertas arqueológicas revelam a existência de arte rupestre e de estatuetas de culto ao corpo feminino, à fertilidade e com isso à noção de origem da vida e do mundo. As mais antigas noções de criação se originavam da idéia básica do nascimento, que consistia na única origem possível das coisas e esta condição prévia do caos primordial foi extraída diretamente da teoria arcaica de que o útero cheio de sangue era capaz de criar magicamente a prole.

Acreditava-se que, a partir do sangue divino do útero e através de um movimento, dança ou ritmo cardíaco, que agitasse este sangue, surgissem os "frutos", a própria maternidade. Essa é uma das razões pelas quais as danças das mulheres primitivas eram repletas em movimentos pélvicos e abdominais.

Muitas tradições referiram o princípio do coração materno que detém todo o poder da criação. Este coração materno, "uma energia capaz de coagular o caos espumoso" organizou, separou e definiu os elementos que compõem e produzem o cosmos; a esta energia organizadora os gregos deram o nome de Diakosmos, a Determinação da Deusa.
A civilização romana prezava o casamento e a família como uma das instituições centrais da vida social. A religião e o culto aos deuses era o lastro desta instituição, cujo poder "de vida e morte" era exercido exclusivamente pelo pai sobre os filhos, os escravos e (em alguns casos) sobre a mulher. Este poder ou "pater familias" tem origem no patriarcado hebreu que pela primeira vez na história denominou a Deusa Mãe de pai ou Deus e, com isso, centralizou o culto e a religião na figura masculina. Os valores cultivados na família romana levaram à valorização da mulher que a despeito de obedecer o (pater) marido, era vista como um alicerce fundamental e o trabalho doméstico como uma virtude.

As mulheres na Política - Durante a Idade Média, há registros de mulheres que estudaram nas universidades da época, porém em número muito inferior aos homens... Mulheres como Hilda de Whitby, que no século VII fundou sete mosteiros e conventos; a religiosa alemã Rosvita de Gandersheim, autora de dezenas de peças de teatro; Ana Comnena fundou em 1083 uma escola de medicina onde lecionou por vários anos; a rainha Leonor, Duquesa da Aquitânia, exerceu relevante papel político na Inglaterra e fundou instituições religiosas e educadoras. No mundo Islâmico, entre os séculos VIII e IX conhecem a glória: religiosas, eruditas, teólogas, poetisas e juristas, rainhas.
A mulher medieval trabalhou e estudou, fundou conventos e mosteiros, lecionou e também governou. Recebeu uma educação moral e prática, e, na nobreza e burguesia, intelectual, que lhe permitiram desempenhar um papel social de colaboradora do marido, seja na agricultura, no comércio ou na administração de um feudo. Um governo que se estendeu do âmbito privado ao público: quando morria o marido, era ela quem assumia a administração do negócio. Como governantes, Branca de Castilha, Anne de Beaujeu, condessa Mathilde, que reina na Toscana e na Emília durante meio século, institui-se protetora da Santa Sé e combate Henrique IV obrigando-o a ajoelhar-se diante de Gregório VII. Em todos os grandes feudos, num momento ou outro, as mulheres reinaram: entre 1160 e 1261 sete mulheres se sucederam no condado de Boulogne. Ícone medieval, Joana D'Arc, jovem chefe guerreira, conquista oito cidades em três meses e apesar de ferida continua a combater.
A escritora francesa Christine de Pizan, autora do livro "A Cidade das Mulheres" defende na obra que há igualdade por natureza entre os sexos, pode ser considerada uma das primeiras feministas por apresentar um discurso a favor da igualdade entre os sexos, defendendo, por exemplo, uma educação idêntica a meninas e meninos.

Fonte: Wikipedia

Dia Internacional da Mulher - Em busca da memória perdida

Por muito tempo acreditou-se que a escolha do 8 de março para ser o Dia Internacional das Mulheres foi devido a um incêndio em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos que vitimou cerca de 150 trabalhadoras que organizavam uma greve contra às más condições de trabalho. Até mesmo militantes do movimento feminista aceitavam essa explicação. Desde a década de 1970, entretanto, novas pesquisas nessa área têm apontado que a escolha da data está ligada à história da Revolução Russa.
O artigo que se segue, publicado na site da SOF – Sempreviva Organização Feminista, estuda as origens da criação da data - que completa agora 100 anos - e traz luz a um trecho que se perdeu nos grandes registros históricos, seja do movimento socialista, seja dos historiadores do período.

A referência histórica principal das origens do Dia Internacional da Mulher é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, em Copenhague, na Dinamarca, quando Clara Zetkin propôs uma resolução de instaurar oficialmente um dia internacional das mulheres. Nessa resolução, não se faz nenhuma alusão ao dia 8 de março. Clara apenas menciona seguir o exemplo das socialistas americanas. É certo que a partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional, expandindo-se pela Europa, a partir da organização e iniciativa das mulheres socialistas.
Essa e outras fontes históricas intrigaram a pesquisadora Renée Coté, que publicou em 1984, no Canadá, sua instigante pesquisa em busca do elo ou dos elos perdidos da história do dia internacional das mulheres.
Renée, em sua trajetória de pesquisa, se deparou com a história das feministas socialistas americanas que tentavam resgatar do turbilhão da história de lutas dos trabalhadores no final do século XIX e início do século XX, a intensa participação das mulheres trabalhadoras, mostrar suas manifestações, suas greves, sua capacidade de organização autônoma de lutas, destacando-se a batalha pelo direito ao voto para as mulheres, ou seja, pelo sufrágio universal. A partir daí, levanta hipóteses sobre o por quê de tal registro histórico ter sido negligenciado ou se perdido no tempo.
O que nos fica claro, a partir de sua pesquisa das fontes históricas é que a referência de um 8 de março ou uma greve de trabalhadoras americanas, manifestações de mulheres ou um dia da mulher, não aparece registrada nas diversas fontes pesquisadas no período, principalmente nos jornais e na imprensa socialista.

Houve greves e repressões de trabalhadores e trabalhadoras no período que vai do final do século XIX até 1908, mas nenhum desses eventos até então dizem respeito à morte de mulheres em Nova York, que teria dado origem ao dia de luta das mulheres. Tais buscas revelam, para Coté, que não houve uma greve heróica, seja em 1857 ou em 1908, mas um feminismo heróico que lutava por se firmar entre as trabalhadoras americanas. Em busca do 8 de março retraçou a luta pela existência autônoma das mulheres socialistas americanas.

As fontes encontradas revelam o seguinte:
Em 3 de maio de 1908 em Chicago, nos Estados Unidos, se comemorou o primeiro “Woman’s day (dia das mulheres), presidido por Lorine S. Brown, documentado pelo jornal mensal The Socialist Woman, no Garrick Theather, com a participação de 1500 mulheres que “aplaudiram as reivindicações por igualdade econômica e política das mulheres; no dia consagrado à causa das trabalhadoras”. Enfim, foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres, mas defendendo, com destaque, o voto feminino. Defendeu-se a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres, portanto, o voto das mulheres, dentro e fora do partido.
Já em 1909, o Woman’s day dos Estados Unidos foi atividade oficial do partido socialista e organizado pelo comitê nacional de mulheres socialistas, comemorado em 28 de fevereiro de 1909, a publicidade da época convocava o “woman suffrage meeting”, ou seja, em defesa do voto das mulheres, em Nova York.
A pesquisadora Renée Coté apura que as socialistas americanas sugerem um dia de comemorações no último domingo de fevereiro, portanto, o woman’s day teve, no início, várias datas mas foi ganhando a adesão das mulheres trabalhadoras, inclusive grevistas e teve participação crescente.
Os jornais noticiaram , o woman’s day em Nova York, em 27 de fevereiro de 1910, no Carnegie Hall, com 3000 mulheres, onde se reuniram as principais associações em favor do sufrágio, convocado pelas socialistas mas com participação de mulheres não socialistas.
Consta que houve uma greve longa dos operários têxteis de Nova York (shirtwaist makers) que durou de novembro de 1909 a fevereiro de 1910, 80% das pessoas grevistas eram mulheres. Essa greve terminou 12 dias antes do woman’s day e foi a primeira greve de mulheres de grande amplitude denunciando as condições de vida e trabalho e demonstrou a coragem das mulheres costureiras, recebendo apoio massivo. Muitas dessas operárias participaram do woman’s day e engrossaram a luta pelo direito ao voto das mulheres ( conquistado em 1920 em todo os EUA).
Clara Zetkin, socialista alemã, propõe que o woman’s day se torne “uma jornada especial, uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das companheiras americanas”. Sugere ainda, num artigo do jornal alemão Diegleichheit, de 28/08/1910, que o tema principal seja a conquista do sufrágio feminino.
Em 1911, o dia internacional das mulheres, foi comemorado pelas alemãs, em 19 de março e pelas suecas, junto com o primeiro de maio etc. Enfim, foi celebrado em diferentes datas.
Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo sufrágio Feminino. As operárias russas participaram da jornada internacional das mulheres em Petrogrado e foram reprimidas. Em 1914, todas os organizadoras da Jornada ou Dia Internacional das Mulheres na Rússia foram presas, o que tornou impossível a comemoração.
Em 1914, o Dia Internacional das Mulheres, na Alemanha foi dedicado ao direito ao voto para as mulheres. E foi comemorado pela primeira vez no dia 8 de março, ao que consta porque foi uma data mais prática naquele ano.
As socialistas européias coordenavam as comemorações em torno do direito ao voto vinculando-o à emancipação política das mulheres, mas a data era decidida em cada país. Em tempos de guerra, o dia internacional das mulheres passou a segundo plano na Europa.

Outra referência instigante, que leva a indicação da origem da fixação do dia 8 de março, foi a ligação dessa data com a participação ativa das operárias russas em ações que desencadearam a revolução russa de 1917. 

Portanto, uma ação política das operárias russas no dia 8 de março, no calendário ocidental (que usamos no Brasil), ou 23 de fevereiro, no calendário russo, precipitou o início da ações revolucionárias que tornaram vitoriosa a revolução russa.
Alexandra Kolontai , dirigente feminista da revolução socialista na Rússia escreveu sobre o fato e sobre o 8 de março, mas, curiosamente, desaparece da história do evento. Diz ela: “ O dia das operárias em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história. A revolução de fevereiro acabara de começar”. O fato também é mencionado por Trotski, dirigente da revolução, na História da Revolução Russa. Nessas narrativas fica claro, que as mulheres desencadearam a greve geral, saindo corajosamente, às ruas de Petrogrado, no dia internacional das mulheres, contra a fome, a guerra e o czarismo. Trotski diz: “ 23 de fevereiro ( 8 de março) , era o dia internacional das mulheres estava programado atos, encontros etc. Mas não imaginávamos que este “dia das mulheres” viria a inaugurar a revolução. Estava planejado ações revolucionárias mas sem data prevista. Mas pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixam o trabalho de várias fábricas e enviam delegadas para solicitarem sustentação da greve... o que se transforma em greve de massas.... todas descem às ruas”.
Constata-se que a revolução foi desencadeada por elementos de base que superaram a oposição das direções e a iniciativa foi das operárias mais exploradas e oprimidas, as têxteis. O número de grevistas foi em torno de 90.000, a maioria mulheres. Constata-se que o dia das mulheres foi vencedor, foi pleno e não houve vítimas.
Renée Coté encontra, por fim, documentos de 1921 da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas onde “ uma camarada búlgara propõe o 8 de março como data oficial do dia internacional da mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas”.
A partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente no dia 8 de março.
Essa história se perdeu nos grandes registros históricos seja do movimento socialista, seja dos historiadores do período. Faz parte do passado histórico e político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século.

Referências Bibliográficas:
-Cote, Renée. (1984) La Journée internationale dês femmes ou les vrais dates des mystérieuses origines du 8 de mars jusqu’ici embrouillés, truquées, oubliées : la clef dês énigmes .La vérité historique. Montreal: Les éditions du remue ménage.
-Gassem, Gladis. (2000) Ato de solidariedade a mulher trabalhadora Ou, Afrodite surgindo dos mares. 8 de Março de 2000. Organização das trabalhadoras rurais. FETAG/RS.

-SOF: www.sof.org.br

Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

Definido no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá, Colômbia, o 25 de Novembro é o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. 
A data foi escolhida para lembrar as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.
O dia é reconhecido pela ONU e está em conexão com a campanha "16 Dias de Ativismo contra a Violência contra as Mulheres".
Em 25 de novembro de 1991, foi iniciada a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher, que propôs os 16 Dias de Ativismo contra a Violência contra as Mulheres, que começam no 25 de novembro e encerram-se no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948.
Este período também contempla outras duas datas significativas: o 1º de Dezembro, Dia Mundial da Luta contra a AIDS e o dia 6 de Dezembro, Dia do Massacre de Montreal.
Em março de 1999, o 25 de novembro foi reconhecido pelas Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

FONTE: Rede Feminista de Saúde

Um dia cor-de-rosa?

A comemoração do Dia das Mulheres, definitivamente, não é unanimidade, muitas mulheres acreditam que a homenagem nem deveria existir, mas o fato é que a egrégora está aí e comemorações expressivas reúnem, a cada ano, mais entidades e ativistas.
A interessante crônica da escritora Cláudia Laitano, a seguir, afirma a validade da data, justamente para que a gente fale, sempre e mais uma vez, exatamente sobre tudo aquilo que não é cor-de-rosa.

Boa parte das homenageadas sente uma certa gastura quando ouve falar em Dia Internacional das Mulheres. E não sem motivo. Vocês, rapazes, não têm ideia da quantidade de rosas acompanhadas por “pensamentos” que abarrotam nossas caixas de e-mail durante estes dias. Corações, borboletas, imagens do pôr do sol e todos os matizes de tons que vão do rosa-bebê ao roxo-funeral também costumam ser convocados a fazer cenário para as frases feitas que celebram o fato de que metade da humanidade é de um jeito e não de outro. Mas nada ameaça o predomínio da rosa, esse clichê botânico do amor, da doçura, da fragilidade – e agora também do Dia das Mulheres. Diante de uma pérola de sabedoria pousada sobre uma rosa vermelha em fundo degradê, não é preciso estar na TPM ou ter um coração de Margaret Thatcher para sair deletando mensagens na velocidade de um beijo-me-liga. (Pronto, falei.)

Mas esse é, literalmente, o lado “perfumaria” da data. Podem me mandar rosas, dentro de corações, dentro de rosas e toda a obra poética de J. G. de Araújo Jorge embrulhada em uma caixa de bombons de licor de cereja que eu não vou achar que a data deveria ser extinta do calendário para efeito de igualdade entre os sexos. (O que, aliás, é um equívoco, porque existe, sim, um Dia do Homem, comemorado no Brasil em 15 de julho, não me perguntem por que, e no resto do mundo em 19 de novembro. A data, já reconhecida pela ONU, tem como um dos “padrinhos” o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev. Que tal essa?)

Mas voltando ao Dia das Mulheres, a data talvez possa, sim, ser encarada como uma xaropice sem tamanho para quem mora na Islândia – país que lidera um ranking mundial de igualdade dos sexos em áreas como educação, política, saúde e trabalho. Mas quem está na 81ª posição, como o Brasil, ainda não está podendo afetar um ar blasé de quem mora em uma quitinete de marfim. Minha tese é a seguinte: o verdadeiro objetivo do Dia das Mulheres não é obrigar os homens a nos mandar flores e má poesia ou fazer com que mulheres que ralam o dia inteiro para sustentar uma penca de filhos sem um pai por perto se sintam de alguma forma especiais pelo menos uma vez por ano. O Dia das Mulheres deveria servir para que nós, as que tiveram as mesmas oportunidades que seus irmãos, seus maridos, seus chefes, parássemos para pensar um pouco na desigualdade dentro do nosso próprio gênero.

Temos, aqui, a Islândia e o Chade, a cientista de ponta e a mulher que aborta com uma agulha de tricô e vai sozinha, e com medo, para a fila do hospital público esperar atendimento. A luta pela descriminalização do aborto (um passo decisivo para tirar o Brasil da indesejável companhia dos países mais atrasados do mundo), o combate à violência doméstica e o esforço para que mulheres e homens recebam salários semelhantes pelas mesmas tarefas não formam uma plataforma “feminina”, mas de direitos humanos. Qualquer homem lúcido está do nosso lado nessas batalhas. Mas, me perdoem o sexismo, nessa guerra somos nós os generais: mulheres empresárias, mulheres que atuam na política, mulheres que têm espaço na imprensa, mulheres que, de uma forma ou de outra, atuam na sociedade civil e podem fazer alguma diferença.

O Dia das Mulheres serve para que a gente fale, sempre e mais uma vez, exatamente sobre tudo aquilo que não é cor-de-rosa.

Fonte: ZH

Universidade Livre Feminista

Em conexão com a Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB , o Centro Feminista de Estudos e Assessoria – CFEMEA vem coordenando a implantação da Universidade Livre Feminista. Criada nos moldes das antigas universidade livres europeias - que também estão sendo retomadas agora em vários países, a exemplo da Espanha -, a entidade organiza um espaço político, acadêmico, educacional e institucional, mantido e coordenado por várias organizações feministas que se articulam na AMB. Entre os eixos de atuação, estão uma biblioteca interativa e um canal de vídeos.

A Universidade é um espaço de ensino-aprendizagem que articula novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) com processos presenciais e tradicionais de educação e mobilização; um ambiente de estímulo à pesquisa e à investigação sobre questões de gênero e feminismo; um repositório de documentos, de livros, vídeos e pesquisas; um divulgador e comunicador de ideias, ações e eventos do movimento feminista e um espaço de articulação de debates, trocas e intercâmbios de conhecimento. 
Dessa forma, foi criado inicialmente um site na internet para divulgação da proposta e articulação de entidades para levar a diante o projeto (www.feminismo.org.br e www.feminista.org.br). Ao mesmo tempo em que reúne notícias e matérias sobre temas de interesse das feministas brasileiras (e latinoamericanas), a homepage serve como elemento mobilizador de entidades e militantes. Não à toa recebe atualmente uma média de 2.300 visitas por dia.
Junto ao site, a Universidade Livre Feminista tem mantido uma biblioteca com o objetivo de colocar à disposição das feministas textos, documentos, teses acadêmicas, livros e relatórios das organizações que mantêm a Universidade e de feministas que colocam ao público suas produções. Você pode alimentar o acervo fazendo um login no site.
Com a Biblioteca, foi criada também a TV Feminista, uma biblioteca de vídeos que devem servir de suporte e estímulo a debates e a programas educativos (curso, rodas de discussão etc.). A TV Feminista reúne produções de entidades brasileiras e pessoas do exterior em português, inglês, espanhol, francês e italiano. Atualmente são mais de 3.000 vídeos, consultados mais de dez mil vezes ao dia.
Os vídeos focalizam a luta feminista por um mundo sem machismo, sem fundamentalismos e sem lesbofobia. 

Rede web feminina alcança 100 países

A organização internacional sem fins lucrativos PeaceXPeace multiplica o poder das mulheres pela força e alcance da internet, conectando mulheres em todas as culturas para apoio mútuo e ação organizada.

O coração da PeaceXPeace, a Rede Global, inclui círculos de mulheres em mais de 100 nações.  Patricia Smith Melton é fundadora e presidente do conselho da entidade, e foi produtora do documentário vencedor do prêmio 2003 De paz pela paz: Mulheres na linha de frente, que destaca o trabalho invisível, muitas vezes, de mulheres em todo o mundo na construção de componentes de uma paz duradoura.

Em nome das mulheres negras

Aqui você encontra links para as páginas de algumas organizações e redes de mulheres negras, que enfrentam a dupla discriminação (ser mulher e ser negra) e trabalham a questão dos direitos das mulheres ao lado da reivindicação por políticas de cotas para negros nas universidades e na mídia, e atendimento às especificidades da saúde da população negra.

AMNB – Articulação de Mulheres Negras do Brasil
Casa de Cultura da Mulher Negra (Santos/SP)
Criola (RJ/RJ)
Fala Preta! - Organização de Mulheres Negras (SP/SP)
Fórum Nacional de Mulheres Negras (RJ/RJ)
Geledés – Instituto da Mulher Negra (SP/SP)
Instituto AMMA Psique e Negritude (SP/SP)



Mulheres negras na História: http://www.criola.org.br/nnh.htm

30 de abril, Dia Nacional da Mulher


As mulheres têm conquistado, embora em tempo lento, direitos e deveres sociais que precisam ser preservados. O movimento de mulheres em seu próprio prol é antigo. Inicialmente foi silencioso e sutil. As formas de abordagem da condição feminina têm variado no tempo e no espaço. Deve-se ressaltar ainda que muitas vezes a história das mulheres foi marcada por tragédias.

No final do século XVIII, Olimpe de Gouges, em França, foi guilhotinada. Outras mulheres que como ela lutaram por uma nova França, pela Revolução francesa, foram assassinadas porque reclamaram a não inclusão dos direitos da mulher no Código Civil que adveio logo após aquele movimento político. No século XIX, em 8 de março de 1857, cerca de 129 mulheres morreram queimadas dentro de uma fábrica em Nova Yorque porque reivindicavam condições dignas de trabalho.
São fatos marcantes para a história das mulheres no ocidente. A indignação das mulheres as fortaleceu a continuar em busca do reconhecimento de sua igualdade com os homens e mais tarde, da importância das diferenças entre os sexos sob uma ótica democrática.
Na segunda metade do século XX, no Brasil, o movimento de mulheres juristas evoluiu no sentido da busca da identidade e capacidade para gerir os atos da vida civil. As advogadas Romy Medeiros da Fonseca e Orminda Bastos apresentaram em julho de 1952, à VIII Assembléia da Comissão Interamericana de Mulheres da OEA - Organização dos Estados Americanos, o anteprojeto por elas elaborado, que modificaria a condição jurídica da mulher no Brasil, embora somente dez anos depois,em 1962. Em 1957, Romy Medeiros da Fonseca, assomou a Tribuna do Senado da República para defender o projeto de lei 29/52. Então, em 1962, o Poder Legislativo tombou sob o número 4.121, a lei que ficou conhecida como o Estatuto da Mulher Casada. Essa lei alterou vários artigos do Código Civil brasileiro, datado de 1916. Esse novo documento concedeu às mulheres o direito de trabalhar fora do lar sem a autorização do marido ou paterna e, em caso de separação do casal, o direito à guarda do filho.

Não por favor: por direito!
A luta continuou para que outras leis surgissem a amparar as mulheres, não por favor, mas por direito. Já agora, século XXI, Código Civil brasileiro renovado, a condição jurídica da mulher está menos discriminatória. Mas há ainda muito o que avançar para a garantia da democracia paritária.
No início do século XX, uma brasileira que esteve a estudar na Europa, Jerônima Mesquita, ao retornar ao Brasil, trouxe consigo a coragem de enfrentar as situações contrárias às mulheres. Uniu-se a um grupo de senhoras combativas e tornou-se feminista, assistencialista e sufragista. Lutou por inúmeras causas. Era mineira de Leopoldina, nascida em 30 de abril de 1880. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, onde morava, em 1972. Em homenagem à sua data natalícia,um grupo de feministas trabalhou para que se tornasse o Dia Nacional da Mulher. Isso ocorreu pela lei nº 6.791/80.
A comemoração do Dia Nacional da Mulher tem sido importante para a divulgação das questões de gênero e sensibilização de políticos para a situação da mulher no Brasil. No momento, a preocupação maior é quanto a violência contra a mulher, inclusive a doméstica. O Dia Nacional da Mulher, 30 de abril, é mais uma ocasião para continuar a investigação sobre a condição feminina no Brasil e a busca incessante de soluções.

Fontes: http://marchamundial2010.ning.com e www.wmulher.com.br
Foto: Patrícia Daudt


Um milhão de mulheres celebrando sua menstruação

Grupo de círculos de mulheres, Clã dos Ciclos Sagrados, organiza "Segunda Vermelha", campanha nacional pela valorização da postura positiva diante dos ciclos de sangue feminino, a menstruação.

O grupo Clã dos Ciclos Sagrados, coordenado pela jornalista, ativista ecofeminista e terapeuta Sabrina Alves, em parceria com DeAnna L'am, terapeuta de mulheres americana, criaram uma campanha que pretende ter ação mundial entre as mulheres para valorização dos ciclos de sangue feminino.
O movimento parte de uma releitura dos aspectos femininos, que se contrapõe ao movimento feminista da década de 70, onde os processos cíclicos da mulher foram caracterizados como uma desvantagem para a disputa com o homem pelo mercado de trabalho. “Hoje já se percebe que as diferenças e a equidade são os fatores que nos levarão por uma cultura mais justa, para uma Cultura de Paz”, afirma Sabrina Alves. É fruto de novas perspectivas em relação à mulher e a natureza, o que ficou denominado como ecofeminismo, que revela um novo corpo feminino que se molda e vem surgindo em movimento de valorização dos aspectos e protagonismo femininos revela um enorme potencial das mulheres em mudar o curso da história.
Segundo Sabrina, algumas mulheres já voltaram a se organizar em círculo (forma de troca de informação sem hierarquia e democrático) para discutir sobre direitos da mulher, da Terra e de seus filhos; para encorajar mulheres a voltarem a ter seus filhos com um mínimo de dignidade, se sentido empoderadas tendo parto natural; outras já se organizam para falar sobre o direito da mãe e dos filhos para a amamentação e as que trazem os filhos ao sling; há as que já preferem e sabem que menstruar significa uma grande arma de poder que é utilizada para sua evolução e para o planeta e o fazem de forma ecológica, utilizando almofadas menstruais reutilizáveis, sem poluir seu corpo nem a natureza. Tudo em um movimento de conservação planetária, de cura da Terra, de cura da sua comunidade, da cura de si mesma.

“Quando menstruo fica instaurado o meu tempo sagrado de mulher!” - A campanha com nome original em inglês “Menstrual Monday”, ou “Segunda Vermelha”, adaptado para o português, convoca a mulher contemporânea a participar ativamente de sua própria vida, redescobrindo e compartilhando com outras mulheres sua essência, empoderando-se e tornando-se uma forte agente transformadora de si mesma, de sua comunidade e do Planeta.
A “Segunda Vermelha” parte do principio que a saúde e o bem-estar da família, da sociedade e da cultura giram ao redor da mulher e dependem em grande parte de sua própria saúde, ou seja, se a capacidade de manter o fluxo de suas energias criativas estão em dia, onde em um processo físico-psíquico ocorre por uma menstruação sadia.
Sabrina ainda esclarece que a campanha não pretende excluir o homem das novas atividades dessa nova mulher, ao contrário, é um chamado para valores como honra e respeito à diversidade, principalmente à multiplicidade dos aspectos da mulher.
A campanha utiliza a frase “Quando menstruo fica instaurado o meu tempo sagrado de mulher!” para que as mulheres voltem a olhar seus ciclos como grandes possibilidades de renovação."

Todos os detalhes da campanha estão publicados no site http://www.cladosciclossagrados.com/
Veja também conteúdo de sensibilização publicado no ABSOLUTA:
http://www.absoluta-online.com.br/conteudo_vivencias_ativismo_menstruacao.html

Fonte: http://www.cladosciclossagrados.com/

Segunda Vermelha 2010

O ativismo menstrual entra em ação mais uma vez com a edição da campanha Segunda Vermelha. Neste ano, o evento acontece em 3 de maio pelo Brasil tendo como tema ARTE VISUAL (arte reciclada, foto, imagem, popart, escultura, etc). São um milhão de mulheres celebrando sua menstruação. Faça do deu jeito também e entre nessa rede.

COMO ADERIR:
:: Blogagem coletiva, cyberativismo menstrual. Use a imagem acima e dê os créditos. Use e abuse do conteúdo do Blog da Campanha: http://segundavermelha.blogspot.com/

:: Em grupo: 
-  Junte mulheres: amigas, irmãs, colegas de trabalho... convoque!
-  Usem Vermelho!
-  Literatura indicada: "Meu Sangue é ouro" (Lara Owen)
- Use material reciclado para criar alguma arte: ventres, ovários, quadros, bolsas, popart.. .qualquer coisa que possa ser fotografada e enviada à gerencia desse blog. O material será publicado. Não esqueça de enviar local, nome e o que mais desejar sobre sua experiência.

:: Sozinha: Agindo localmente!
- Vá para o trabalho de vermelho!
- Escreva algo em seu blog, se você tiver; use as imagens cedidas neste blog da Campanha "Segunda Vermelha 2010"
- Use material reciclado para criar alguma arte: ventres, ovários, quadros, bolsas, popart... qualquer coisa que possa ser fotografado e enviado à gerencia desse blog. O material será publicado. Não esqueça de enviar local, nome e o que mais desejar.

A campanha - Com nome original em inglês “Menstrual Monday”, ou a “Segunda Vermelha”, adaptado para o português, a campanha convoca a mulher contemporânea a participar ativamente de sua própria vida, redescobrindo e compartilhando com outras mulheres sua essência, empoderando-se e tornando-se uma forte agente transformadora de si mesma, de sua comunidade e do Planeta.
A primeira vez que se comemorou foi em 2000, idealizado por Genebra Kachaman e Molly Strange. Elas arrumaram um jeito de incentivar as mulheres a ritualizarem suas menstruações e o fizeram com manifestações artísticas. Na época, a campanha teve adesão da França, Canadá, Escócia e Quênia. Kachaman e Strange diziam que a intenção da campanha era criar um senso de diversão em torno de menstruação; para encorajar as mulheres a assumir a responsabilidade da sua menstruação e de saúde reprodutiva, para criar uma maior visibilidade da menstruação nos meios de comunicação social; e para reforçar a honestidade da menstruação em nossos relacionamentos.
Na realidade, a campanha foi um efeito contrário à grande quantidade de registros do chamado “choque tóxico” provocado pelos tampões internos naquela década de 90 e por tudo o que ele representa para a mulher: vulnerabilidade, vergonha, invasão, agressão e uma infinidade de doenças arrebatadoras e outras tão silenciosas quanto fatais, como o câncer de útero. 

Marcha Mundial das Mulheres: NÃO à pobreza e à violência

Desde seu surgimento, em 2000, a Marcha tem se afirmado como um movimento que articula ações locais, nacionais e internacionais. Nestes nove anos, construiu sua força e legitimidade organizando as mulheres em torno de uma agenda radical anti-capitalista e anti-patriarcal.

A Marcha Mundial das Mulheres é uma ação do movimento feminista internacional de luta contra a pobreza e a violência sexista. Sua primeira etapa foi uma campanha entre 8 de março e 17 de outubro de 2000. Aderiram à Marcha 6000 grupos de 159 países e territórios. As manifestações de encerramento desta primeira fase da Marcha no dia 17 de outubro de 2000 mobilizaram milhares de mulheres em todo o mundo, nesta ocasião foi entregue a ONU um abaixo assinado com cerca de 5 milhões de assinaturas em apoio às reivindicações da Marcha.
A mobilização de mulheres gerada pela Marcha não parou por aí. Os contatos feitos entre variados grupos de diferentes países criou uma rede feminista que pretende se preservar, para assim fortalecer a luta das mulheres.
No Brasil, a Marcha Mundial das Mulheres juntou setores como o movimento autônomo de mulheres, movimento popular e sindical, rural e urbano; ampliou o debate econômico entre as mulheres e as trouxe para as ruas. Construímos uma plataforma nacional , a "Carta das Mulheres Brasileiras" que exige terra, trabalho, direitos sociais, auto-determinação das mulheres e soberania do país.
O combate à pobreza e à violência feita às mulheres continua a ser o eixo de nossa intervenção, sempre com uma forte ação feminista e anti-capitalista na luta pela igualdade, justiça, distribuição de renda, recursos e poder.

Veja histórico, reivindicações, coletivos, mobilização em cada Estado e mais detalhes em http://www.sof.org.br/marcha/

Contra a tirania do rosa

Ganhando fôlego internacional, campanha inglesa luta para diluir o estereótipo de que rosa é cor “de menina”. O movimento vai além e questiona a introdução precoce das adolescentes no universo cultural das modelos magérrimas e pop-stars super sexualizadas, criando em contrapartida um site onde traz modelos reais do feminino saudável.

A rima em inglês para o nome da campanha “Pink Stinks” - em tradução literal, “rosa fede” – insinua a firmeza de propósito. Em nome dos pais mais conscientes, o movimento busca promover o debate sobre a influência da mídia e a importância de promover papéis positivos de gênero para as meninas.
De acordo com as idealizadoras da campanha, o uso excessivo de rosa em bonecas e adjacentes é reflexo de um modo de vida que valoriza a obsessão por modelos magérrimas, esposas de jogadores de futebol e pop-stars super sexualizadas. E isso acontece ao mesmo tempo em que os jogos para garotos vêm carregados de ciência, aventura, física, educação e estímulo à liderança: “já as escolhas das meninas são muito mais limitadas – e limitantes”, afirmam.
Por outro lado, o movimento também questiona os mitos alienantes do universo simbológico de “princesa”. O depoimento de um pai dá o clima:
“Como pai de duas meninas pequenas, com idade entre 3 anos e 8 meses, estou frustrado em minha luta constante para encontrar brinquedos e, mais importante, literatura, além dos reinos de princesas e fadas (todos eles parecem apenas interessados em encontrar um príncipe)".

Exemplos de verdade – Além de notoriedade no Reino Unido, onde foi lançada e conseguiu apoio de personalidades ligadas ao Ministério da Justiça, a campanha em um mês obteve repercussão em mais de 40 países. No período de estreia, o site ganhou 50.000 acessos, o perfil no Facebook ancorou 10.000 membros e o Twitter, 1.400 seguidores.
Com foco no público infantil, o movimento também está criando um site onde conta histórias reais, bons exemplos de mulheres positivas e atuantes. O espaço traz imagens femininas de todas as formas, tamanhos, cores e tipos, fazendo todo tipo de coisas incríveis, remando contra a maré da “mono-cultura que só destrói, celebrando o que a maioria de nós nunca podemos esperar alcançar”.

http://www.pinkstinks.co.uk/
http://pinkstinks.wordpress.com/
http://www.cooltobe.me