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A mulher que sobreviveu à tentativa de assassinato e virou nome de lei

Maria da Penha Maia Fernandes é uma sobrevivente. Seu marido tentou matá-la duas vezes. A primeira, com um tiro nas costas que a deixou paraplégica. A segunda, eletrocutada no chuveiro. Ela foi à forra – além de prender o criminoso, batizou a lei que protege a mulher vítima da violência doméstica.

Maria da Penha encara a foto para o passaporte, quando foi conhecer a Argentina
Maria da Penha tem sono pesado. Capota e só acorda no dia seguinte. Na madrugada de 29 de maio de 1983, porém, teve seu repouso interrompido pelo pior pesadelo da vida. “Acordei de repente com um forte estampido dentro do quarto. Abri os olhos. Não vi ninguém. Tentei me mexer. Não consegui. Imediatamente fechei os olhos e um só pensamento me ocorreu: ‘Meu Deus, o Marco me matou com um tiro’. Um gosto estranho de metal se fez sentir forte na minha boca, enquanto um borbulhamento nas costas me deixou perplexa.” Entre desmaios e devaneios, a mulher, então com 38 anos, tinha momentos de consciência. Por mais que estivesse acostumada com os gritos, as explosões de fúria e os empurrões do marido, Penha custava a acreditar que fora alvejada por um tiro de espingarda disparado pelo homem que escolheu para ser pai de suas três filhas (na época com 6, 5 e 1 ano e 8 meses). Não concebia tamanha covardia. “Quando os vizinhos chegaram ao meu quarto, demoraram a perceber o ferimento, pois eu estava de costas, com o sangue escorrendo no colchão.” Para acobertar sua intenção diabólica de assassinar a própria mulher em pleno sono, Marco se fantasiou de vítima de um suposto assalto: rasgou o pijama, pôs uma corda no pescoço e disse para a polícia que havia sido atacado por uns bandidos. O teatro não funcionou. Mas a verdade demorou, demorou quase 20 anos a aparecer e levar o economista e professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros para onde devia estar há tanto tempo: atrás das grades.
Os quatro meses seguintes após a tentativa de homicídio foram de cirurgias em hospitais de Fortaleza, onde Penha nasceu, e de Brasília. Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica bioquímica formada pela Universidade Federal do Ceará e mestre em parasitologia pela USP, resistiu firme, mas sua vida não seria mais a mesma. “Após vários exames, chegou a hora da avaliação que diria se eu ia voltar a andar ou não. Como profissional da saúde, antevia o fatídico diagnóstico. Como paciente, ousava sonhar, pedir aos meus santos... Enfim, declararam: nunca mais andaria.” De volta para casa, na cadeira de rodas, Penha ainda teve que fazer força para escapar de outra atrocidade do marido: ele tentou eletrocutá-la embaixo do chuveiro. Marco, então, foi embora para ficar com uma amante no Rio Grande do Norte.

Aos 63 anos, Maria da Penha hoje vive em Fortaleza
Ela mudou a história - E Penha transformou sua existência na luta pelos direitos das mulheres que sofrem com a violência doméstica. Em 2001, conseguiu que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenasse o Brasil por negligência e omissão pela demora na punição do marido. Daí a semente para que, em 2006, o presidente Lula sancionasse a lei 11.340, a lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência familiar contra a mulher e prevê que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham prisão preventiva decretada. Além disso, aumenta a pena máxima de um para três anos de detenção e acaba com o pagamento de cestas básicas , como acontecia anteriormente com os agressores. Hoje, Penha é colaboradora de honra da Coordenadoria de Mulher da Prefeitura de Fortaleza, dá palestras em faculdades e recebe homenagens por todo o país. Ela acredita que o ex-marido viva no Rio Grande do Norte. Em um sábado de sol e calor (será que algum dia faz frio em Fortaleza?), Maria da Penha recebeu, em casa, a reportagem da Tpm para lembrar dos dias mais dramáticos e dos mais felizes de seus 63 anos.

Confira a entrevista: http://revistatpm.uol.com.br/revista/82/paginas-vermelhas/maria-da-penha/page-2.html

FONTE: TPM

Dez mulheres são assassinadas por dia no Brasil

É quase um massacre! 
A última pesquisa realizada pelo Instituto Sangari, com base nos dados do Sistema único de Saúde, denominada "Mapa da Violência no Brasil 2010", demonstra que entre, 1997 e 2007, 41.532 mulheres foram assassinadas no Brasil. 
Trocando em miúdos, em média 10 mulheres foram assassinadas por dia. Este indicador demonstra que o Brasil está acima do padrão internacional e que as políticas públicas implementadas pouco têm surtido o objetivo a que se propuseram: eliminar e punir a violência contra a mulher.

Após 52 anos da Declaração dos Direitos Humanos, as mulheres no Brasil ainda são agredidas e assassinadas à margem da lei. Quando haverá eficaz proteção e consequente punição?
"Temos uma Lei Maria da Penha que não engata, não toma fôlego e não cresce porque os sistemas jurídico e policial não conseguem dar conta da demanda crescente", afirma Liz Motta, historiadora e especialista em Gênero e Políticas Públicas. "Não temos policiais suficientes para vigiar a execução e cumprimento das Medidas Protetivas, inúmeros juízes não aplicam a LMP nos casos de violência contra a mulher e a falta de DEAMs e serviços dedicados às mulheres na maioria dos municípios brasileiros agrava este cenário que, infelizmente, é o retrato da situação de insegurança e violência que muitas mulheres vivem diariamente", comenta.
Laura Mury, presidente do "Tecle Mulher" (www.teclemulher.com.br), serviço via internet especializado em denúncias e encaminhamento de casos de violência, faz um alerta: "das 136 mulheres atendidas entre dezembro de 2009 e abril de 2010, apenas 17 mulheres já haviam procurado ajuda em serviços públicos, sendo que 13 delas relatam queixas que se referem ao atendimento nas Delegacias comuns ou nas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher. Também são relatadas queixas no retardamento da justiça em realizar as medidas protetivas da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/206) e que são solicitadas no momento em que fazem o Boletim de Ocorrência".

Avanços nas políticas públicas de gênero - Já os Centros de Referência da Mulher, que estão sendo amplamente implantados nos municípios brasileiros, vêm sendo o principal ponto de apoio especializado para a garantia dos direitos das mulheres.
Da mesma forma, conforme o site "Tecle Mulher", outros serviços públicos, como o Disque Mulher 180 e a Lei 11.240/2006, considerados como grandes avanços nas políticas públicas de gênero no país, ainda esbarram, para sua ampla efetividade, no preconceito e machismo da sociedade e que é executado veladamente pelos que não aceitam a proteção legal das mulheres que secularmente vêm sendo feita de forma diferenciada, mas a favor dos homens.

Detalhes e estatísticas sobre violência doméstica

Os detalhes sobre violência doméstica contra a mulher são alarmantes. No Brasil, por exemplo, ela mata mais do que câncer e acidentes de tráfego. Cerca de 70% dos casos apontam o próprio parceiro como autor. Acredita-se que todas as estatísticas e dados oficiais não refletem a realidade pois, em geral, as mulheres se sentem envergonhadas ou reprimidas, e não fazem denúncia às autoridades.
Seguem aí alguns fatos coletados pelo movimento Bem Querer Mulher.

• O Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica, segundo pesquisa da Sociedade Mundial de Vitimologia, em 54 países e junto a 138 mil mulheres (www.ipas.org.br);
• No Brasil, a cada 7 segundos uma mulher é agredida em seu próprio lar (Fundação Perseu Abramo);
• A violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos e mata mais do que câncer e acidentes de tráfego www.violenciamulher.org.br);
• 27% das mulheres da Grande São Paulo se dizem influenciadas pelo crime em algum momento da suas vidas (OMS 2005);
• 33% da população brasileira aponta a violência contra as mulheres como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade (IBOPE 2006);
• 51% da população brasileira declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro (IBOPE 2006);
• 30% das mulheres brasileiras com mais de 15 anos já sofreram violência extrema (UNIFEM 2007);
• Entre 25% e 50% das sobreviventes são infectadas por DST (doenças sexualmente transmissíveis);
• 70% dos incidentes acontecem dentro de casa, sendo que o agressor é o próprio marido ou companheiro;
• Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos;

• Segundo pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde) publicada em 2005, 23% das mulheres entrevistadas na Grande São Paulo, afirmam terem sido influenciadas pela violência contra a mulher, direta ou indiretamente, pelo menos uma vez durante suas vidas;
• Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia (IVW, ligada ao governo da Holanda e à ONU), que pesquisou a violência doméstica com 138 mil mulheres, de 54 países, o Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica: 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas a este tipo de violência;
• De acordo com o Conselho da Europa (integrante do sistema europeu de proteção aos direitos humanos), a violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos de idade e mata mais do que câncer e acidentes de tráfego;
• Nos Estados Unidos, as mulheres representaram 85% das vítimas de violência doméstica em 1999, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU);
• Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos;
• A Violência contra a Mulher é um fenômeno universal que atinge indistintamente mulheres de todas as classes sociais, etnias, religiões e culturas;
• Pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida, de acordo com estimativa da Anistia Internacional;
• Anistia Internacional afirma que esses números representam apenas "a ponta do iceberg" já que a violência contra a mulher geralmente não é reportada, pois as vítimas se sentem envergonhadas ou sentem medo.

Onde encontrar apoio:

- 180 - Central de Atendimento à Mulher - 24 horas
- Disque Saúde Mulher - 0800 6440803
- Delegacia de Defesa da Mulher 24 horas - (11) 3241-3328
- Casa Eliane de Grammont - (11) 5549-9339
- Casa Sofia - 0800 7703053
- Centro de Atendimento à Mulher Cidinha Kopcak - (11) 6115-4195
- Centro Integrado de Atendimento à Mulher - (21) 2299-2122
- Disque Mulher Rio de Janeiro - (21) 2299-2121
- Instituto Noss (21) 2579-2357
- Disque Mulher Nova Friburgo - (22) 2523-2706
- Núcleo de Atendimento a Vítimas de Crimes Violentos - (31) 3214-1898
- Themis - (51) 3212-0104

FONTE: Bem Querer Mulher

Denúncias de violência contra mulher crescem 112% em 2010

A Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, que recebe queixas de violência contra a mulher, registrou alta de 112% de janeiro a julho de 2010 em comparação com o mesmo período do ano passado. A maioria se refere a lesão corporal. Das mulheres que contataram o serviço, 57% afirmaram que são agredidas física ou psicologicamente todos os dias.

Dados divulgados pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República revelam que o serviço disque-denúncia registrou 343.063 atendimentos nos sete primeiros meses deste ano - contra 161.774 nos mesmos meses de 2009. A maioria dos atendimentos refere-se a crimes de lesão corporal; em seguida, vêm as ameaças. Juntos, os dois tipos de queixas somam 70% dos registros do Ligue 180.
Das mulheres que contataram o serviço, 57% afirmaram que são agredidas física ou psicologicamente todos os dias; em mais da metade dos casos, declararam correr risco de morte.
Das mulheres atendidas, 72,1% vivem com o agressor, sendo que 57,9% são casadas ou estão em união estável; 14,7% prestaram queixa contra o ex-namorado ou ex-companheiro.  
O perfil de quem agride é parecido com o da agredida:
- a maioria das mulheres que ligou para a Central tem entre 25 e 50 anos (67,3%) e nível fundamental de escolaridade (48,3%)
- a maioria dos agressores tem entre 20 e 45 anos (73,4%) e também tem nível fundamental de escolaridade (55,3%)

FONTE: G1

Monitoramento da violência no mundo

Existem pelo planeta dezenas de redes de trabalho empenhadas no monitoramento, denúncia e encaminhamento de casos de violência de gênero. Clique nos links para conferir.
 
EUROPA 

El Lobby mantiene un seguimiento especial en relación a los derechos de las mujeres con respecto
a la trata de mujeres, la prostitución y todas las formas de explotación sexual y el reconomiento
de los derechos de las mujeres que solicitan asilo.
BELGIQUE
ESPAÑA 
FRANCE
UK - GRAN BRETAÑA
GREECE / GRECIA
Counselling Center on Violence Against Women
Tel. 301.411.20.91/ 301.41.29.101 / Pireus Center, Greece
Fax 00-301-9585251
IRELAND - IRLANDA
ITALIA - ITALI
NORTHERN IRELAND / IRLANDA DEL NORTE
NIWAF
Northern Ireland Women's Aid Federation (NIWAF) exists to challenge attitudes and beliefs which
perpetuate domestic violence. Women's Aid provides refuge andemotional support to women and
their dependent children suffering from mental or physical harassment within the home.
 
TURKEY - TURQUIA





AMERICA
 
UNIFEM-ONU - Campaña en America Latina - Direcciones de las organizaciones de diferentes países
que trabajan contra la violencia de género, documentos, etc.
INFORME  DE LA ONU SOBRE LATINOAMERICA
SEGUN LA ORGANICACIÓN PANAMERICANA DE SALUD (OPS),más de la mitad de las mujeres en el mundo son maltratadas por sus parejas.
VI ENCUENTRO IBEROAMERICANO DE MINISTRAS(OS) Y RESPONSABLES DE LAS POLITICAS DE LAS MUJERES Ciudad de Panamá - 4 y 5 de mayo del 2000 / El punto 10 se refiere a la violencia contra la mujer
ARGENTINA
ECUADOR . Acoso sexual a las niñas.
EEUU 
Campaña de apoyo a las mujeres hispanas para erradicar la violencia. Un video para prevenir el maltrato a las mujeres inmigrantes - ¿Porqué lloras Juanita? Producido por la Oceanside Police Department -  Más información en su web: http://www.ci.oceanside.ca.us/police/p_domviol.html Centro de Mujeres del Area de Houston Cincinnati - YWCA of Cincinnati. Asistencia a las mujeres Feminist for live in America - Artículos en Inglés sobre la violencia contra las mujeres Florida - Acogida para mujeres maltratadas - Telefono de Emergencia La Casa de las Madres - San Francisco (California). Centro de acogida para mujeres maltradas y sus hijos Melrose Alliance Against Violence (MAAV) Mothers Against Violence in America Now- Legal Defense and Education Fund/ Nueva ley contra la violencia hacia la mujer aprobada en EEUU-2000. Texto completo. Asistencia legal  a las mujeres víctimas de la violencia. Nueva York - Domestic Violence Legal Connection - Apoyo legal Sacramento - Página de la Policía de Sacramento - EEUU sobre la violencia doméstica (en Español) San Francisco - Baía - MAITRI - Apoyo a las mujeres sudasiáticas víctimas de la violencia SAWNET/ South Asian Domestic Violence Resources.  Apoyo y ayuda para las mujeres asiáticas que viven en EEUU. Victims Service - Servicio de Atención On Line a las mujeres víctimas de la violencia en Nueva York (En Español) Virgin Islands - Womens Coalition of St. Croix - Asistencia a las mujeres víctimas de la violenciaGUATEMALA  
MEXICO 
La cámara de diputados de México Distrito Federal aprueba ¡¡¡por fín!!! una ley contra la violencia doméstica. Programa Nacional contra la Violencia Intrafamiliar (Pronavi)1999-2000 Estado de Durango - Las deficiencias en la atención de víctimas de delitos sexuales. En la capital mexicana, menos del uno por ciento de los acusados de delitos sexuales son sentenciados y encarcelados CIDHAL - Taller sobre violencia en casa 
REPUBLICA DOMINICANA
NICARAGUA

OCEANÍA
 
AUSTRALIA

FONTE: www.nodo50.org/mujeresred

Até onde a religião estimula a violência contra as mulheres

Um país de formação fortemente influenciada pela ideologia cristã como o nosso precisa fazer essa reflexão. É o que faz o SedeDeQuê?, parte do projeto Arte e cultura no enfrentamento da violência contra as mulheres, realizado por Católicas pelo Direito de Decidir , com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Segundo dados da Fundação Perseu Abramo (2002), a cada 15 segundos uma mulher é espancada no país. Pelo menos 43 % das mulheres brasileiras sofrem algum tipo de violência pelo simples  fato de serem mulheres, sendo 24 % violência física, 22 % outras agressões, 13 % estupro, 27% violência psíquica, 11 % assédio sexual.
O Brasil também é o maior país católico do mundo (74 % da população, segundo o Censo de 2000, declaram-se Católicos/as), ainda que as outras religiões cristãs, como as mais variadas denominações pentecostais ou neopentecostais, venham crescendo continuamente.

Mas o que a violência contra as mulheres tem a ver com a religião?
Tudo a ver! A gente dificilmente pensa que a religião pode contribuir para que haja  violência, mas pode. A gente vive hoje um período em que os fundamentalismos religiosos vêm crescendo. Isso significa que também  o conservadorismo moral e a rigidez de costumes estão se fortalecendo a partir da religião. Com isso, a desigualdade entre homens e mulheres também  é justificada e aumenta, o que incentiva e reforça a violência contra as mulheres.
A religião age no plano simbólico. Isso significa que certos modelos de comportamento, papéis sociais e formas de relacionamento são incentivados pela religião, os quais vão sendo internalizados pelas pessoas e acabam formando a maneira de pensar da sociedade, ou seja, criam uma mentalidade, uma cultura. O modelo predominante de família  que é imposto como único aceitável na nossa cultura – casal heterossexual com  filhos e  mulher  submetidos ao pai e marido -  vem em grande parte das religiões, especialmente as de base cristã.
Como a cultura brasileira é fortemente influenciada pela visão cristã do mundo, o papel social que mulheres e homens desempenham na nossa sociedade está diretamente relacionado a essa mentalidade religiosa. As religiões cristãs são patriarcais (aquelas nas quais os homens têm poder, mas as mulheres não)  e têm legitimado com suas idéias a dominação das mulheres, associando-as ao mal,  à desordem e à fraqueza moral. Isso significa que, culturalmente, as mulheres estão sempre sujeitas a uma punição que, por tais idéias, seria natural e necessária. Isso incentiva a violência!

Como isso acontece na prática?
A violência se instala na nossa cultura pela associação mulher-mal, justificando assim a desqualificação e exclusão das mulheres dos espaços de poder e decisões na sociedade.  Por exemplo: Eva, uma mulher, é vista como a causa de todos os problemas que enfrentamos hoje, já que teria sido ela quem causou a expulsão da humanidade do Paraíso. Essa interpretação do mito de Adão e Eva acaba colocando a mulher como responsável por coisas ruins, inclusive as que acontecem com ela. Quem nunca ouviu, quando alguma mulher sofre algum tipo de violência como estupro, que alguma coisa ela fez para merecer aquilo?
Um outro grande problema quanto ao enfrentamento da  violência contra as mulheres é a forma como se desenvolvem as relações afetivas entre homens e mulheres no Brasil. A  forma  de manifestar a afetividade nas relações familiares na nossa sociedade está permeada  por idéias religiosas que naturalizam a violência de contra as mulheres. Tais idéias são subliminares, ou seja, são transmitidas  sem a gente perceber, e são  aceitas em função da manutenção da família, o que dificulta que as mulheres denunciem seus companheiros quando eles as agridem.
Outra idéia cristã bastante presente na nossa sociedade é a de que o sacrifício é um caminho para a salvação, o que ajuda a manter as mulheres submetidas à violência. A idéia de que “essa é a vontade de Deus” leva muitas mulheres a pensar que a violência é natural e que não tem outro jeito de viver. Essa violência simbólica  justifica e legitima as outras formas de violência  – física, sexual e psicológica - e é praticamente ignorada pela maioria das pessoas.

O que é violência simbólica?
Violência simbólica é uma forma de coação invisível que se apóia em crenças e preconceitos coletivos. Ela se baseia na contínua construção de crenças nos processos de socialização, o que faz uma pessoa perceber e a avaliar o mundo seguindo critérios e padrões do discurso dominante.  A violência simbólica é um tipo de dominação cultural que ofende a dignidade e desrespeita os direitos do/a outro/a.

O que fazer?
Para contribuir com a desconstrução destas idéias que conformam a cultura brasileira, propomos realizar atividades culturais e artísticas que atinjam diferentes públicos e que visibilizem o problema, promovendo, desta forma, a divulgação e a popularização de idéias ético-religiosas que possam colaborar na construção de uma cultura de não violência, com ênfase no fim da violência contra as mulheres.
Nesta página, você vai encontrar informações importantes sobre a violência contra as mulheres no Brasil e também sobre ações e maneiras para enfrentar esse terrível mal que afeta milhões de mulheres em nosso país.
Junte-se a nós! Participe, mande-nos  informações, sugestões, idéias, ações. Vamos mostrar que a desigualdade entre homens e mulheres é inaceitável e que não podemos mais tolerar nenhum tipo de violência!

FONTE: http://sededeque.com.br

Todo o planeta contra o apedrejamento

A campanha internacional para salvar Sakineh Ashtiaani do apedrejamento despertou a atenção do mundo. Centenas de milhares de pessoas manifestaram seu repúdio assinando petições e participando de ações de protesto em diversos países. Juntos, ajudamos Sakineh a passar de uma vítima quieta de uma punição arcaica para um símbolo da luta pela justiça ao qual até os líderes mais poderosos do Irã tem que responder.

O comitê internacional em defesa da iraniana, que já mobiliza mais de 100 cidades, pede às pessoas civilizadas do mundo para mostrarem sua oposição veemente contra o apedrejamento como forma pré-medieval de selvageria. Precisamos pressionar o regime islâmico no Irã, que ainda condena pessoas à morte com pedradas. Durante 31 anos da sua existência, pelo menos 109 pessoas foram condenadas, predominantemente mulheres, e atualmente há mais de 25 pessoas no corredor da morte.
No dia mundial de protesto, em 28 de agosto, houve 111 cidades engajadas e 114 eventos pelo mundo.
Veja mais detalhes no site do comitê: http://%20stopstonningnow.com/wpress/2249

A pressão dos ativistas está funcionando - O Irã está claramente sentindo a pressão, como vimos na sua reação de atrasar e mudar o rumo da sentença. A pressão internacional salvou Sakineh de ser apedrejada por adultério e impediu a sua execução até agora, porém o regime agora diz que irá enforcá-la pelo assassinato do seu marido - uma acusação que foi oficialmente removida 4 anos atrás. A televisão iraniana mostrou imagens embaçadas e difíceis de ouvir, de uma confissão da Sakineh. Os advogados dela dizem que a confissão foi forçada após 2 dias de tortura.
Apesar do cenário sombrio, o fato do regime continuar adiando a revisão judicial do caso, e de se dar ao trabalho de mostrar o caso em rede nacional, revela que o chamado por justiça teve uma forte repercussão. A pressão está funcionando além da Sakineh pois o Irã rapidamente reviu e reverteu outras sentenças de apedrejamento para enforcamento e chicotadas para duas mulheres, uma de 25 e outra de 19 anos.

A próxima fase é pressionar por telefone - Uma das mais ativas entidades, a Avaaz lançou recentemente uma campanha de emergência pedindo justiça para Sakineh e recebeu mais de 30 mil doações em apenas 12 horas. O grupo publicou anúncios de página inteira em jornais importantes no Brasil e na Turquia mostrando o Primeiro Ministro Erdogan e o Presidente Lula segurando a foto da Sakineh com o título: “A vida dela está em suas mãos”. Pela web, membros da Avaaz da Turquia e Brasil enviaram mais de 50.000 mensagens a Lula e Erdogan nas últimas semanas.
A próxima fase é pressionar por telefone. Os ativistas pretendem inundar as embaixadas ao redor do mundo com telefonemas, mensagens de voz e visitas. Eles terão que reportar os contatos à Teerã, quer terá noção da preocupação global em torno do caso. O site da Avaaz disponibiliza uma lista com os telefones das embaixadas iranianas e sugere três pontos de argumentação para serem falados.
Site da Avaaz: www.avaaz.org/po/contact

Nobel da Paz condenada a mais 18 meses de prisão

A Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi foi sentenciada esta semana a mais um ano e meio de prisão na Birmânia. A Avaaz está lançando um chamado para o Conselho de Segurança da ONU pedindo a investigação da junta militar por crimes contra a humanidade.

Aung San Suu Kyi, líder da oposição em Mianmar, condenada nesta terça-feira (11/8) a mais 18 meses de prisão domiciliar, é reconhecida internacionalmente pela luta incansável, há mais de vinte anos, pela democracia em seu país. Única vencedora do Prêmio Nobel da Paz a estar privada de liberdade, é muitas vezes comparada a Nelson Mandela, que passou 27 anos em prisões sul-africanas antes de ser capaz de desempenhar um pleno papel político.
Em 1995, o regime militar levantou a pena de prisão domiciliar imposta a ela como sinal de abertura democrática dirigido à comunidade internacional. Contudo, sua liberdade durou pouco. Dos últimos 19 anos, ela passou 13 em prisão domiciliar.

A Avaaz está lançando um chamado para o Conselho de Segurança da ONU pedindo a investigação da junta militar por crimes contra a humanidade. Um veredicto culpado poderá indiciar generais de alto escalão, deixando claro para a junta que eles não ficarão impunes pelas atrocidades que cometeram. Clique abaixo para assinar a petição e ver o banner que será colocado na frente da ONU:

http://www.avaaz.org/po/jail_the_generals

SOBRE A AVAAZ
Avaaz.org é uma organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até a guerra no Iraque e direitos humanos. Avaaz não recebe dinheiro de governos ou empresas e é composta por uma equipe global sediada em Londres, Nova York, Paris, Washington DC, Genebra e Rio de Janeiro. Avaaz significa "voz" em várias línguas européias e asiáticas.
http://www.avaaz.org


Mais informações sobre Aung San Suu Kyi: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aung_San_Suu_Kyi

Índices de violência sexual continuam altos. Que atraso!

Infelizmente, ainda vivemos nesse mundo jurássico onde as mulheres são atacadas sexualmente – e em índices alarmantes... Todo dia é hora de lembramos disto. No Brasil, cerca de 43% das mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual, embora haja muitas campanhas de defesa, inclusive com o bem-vindo reforço masculino.
Confira detalhes aí e alguns links com mais conteúdo.

Recentemente, rolou na web notícia sobre uma camisinha feminina com farpas que inibe a ação de estupradores. Parece até coisa de cinema, tipo James Bond. O mecanismo se crava no pênis e só pode ser retirado mediante cirurgia.
Os altíssimos índices de violência sexual na África do Sul inspiraram a criadora, Sonette Ehlers, que trabalha há tempos com vítimas de abuso sexual. Com a Copa do Mundo de 2010, a invenção voltou a ficar em evidência.
Fotos e todos os detalhes você pode conferir no site do produto mas, descontando o pitoresco da situação e um certo radicalismo, precisamos sempre chamar a atenção para a questão da violência sexual contra as mulheres pois a incidência, infelizmente, ainda é impressionante em nível planetário (veja os dados no fim da postagem).
Em Puebla, no México, por exemplo, circulam 35 táxis de cor rosa, dedicados ao público feminino, pilotados exclusivamente por mulheres, 24 horas por dia, tudo em função da prevenção à violência sexual.
Em Portugal, a partir de 1º de Janeiro de 2010, entra em vigor lei que concede indenização estatal às mulheres abusadas. As vítimas de crimes violentos e de violência doméstica que tenham sofrido danos graves têm direito a um adiantamento por parte do Estado da indenização pedida pelo crime sofrido.
Na África do Sul, onde a tal camisinha mordedora surgiu, a situação é tão grave que os abusos sexuais continuam a ser vistos como algo natural, e onde este é o tipo de crime que mais cresce (veja matéria no “Le Monde Diplomatique Brasil” ).

Magnitude e implicações - Em todo o mundo, o combate à violência contra a mulher se constituiu em uma preocupação fundamental dos movimentos sociais, a começar pelo movimento de mulheres em meados da década de 1970. Para marcar a importância do tema e mobilizar ações e a atenção da sociedade, foram criadas algumas datas especiais, relacionadas à violência contra mulheres e meninas (confira de perto). Entre elas, em 1999 as Nações Unidas (ONU) designaram oficialmente 25 de Novembro como “Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher”, como forma de alerta e ativismo. Jogue no Google e veja quanto conteúdo encontramos a respeito.
No Brasil, várias entidades trabalham a questão. Verifique, por exemplo, quantas campanhas estão rolando através dos links do “Portal Violência Mulher”, onde se pode também pesquisar sobre conceito, magnitude e implicações dessa violência. Também estão disponíveis dados de pesquisas realizadas por instituições conceituadas e informações sobre trabalhos, estudos e ações que estão sendo desenvolvidos sobre o tema. E há indicações de como fazer denúncias na prática.
Os trabalhos se estendem inclusive às mulheres da área rural.
Merece registro também o reforço masculino, através da “Campanha Brasileira do Laço Branco”, que tem por objetivo sensibilizar e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra a mulher.
A campanha tem aval de organismos internacionais.

DADOS
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, uma em cada três mulheres em todo o mundo tem sido espancada, assediada sexualmente ou tem sofrido outro tipo de abuso em sua vida (sendo o culpado, geralmente um conhecido). Por exemplo:
- De 10 países incluídos no estudo, mais de 50% das mulheres em Bangladesh, Etiopia, Perú e Tanzania indicaram haver sido vítimas de violência física ou sexual por parte de seus companheiros
- As mulheres entre 15 e 44 anos de idade correm mais risco de morrer ou sofrer invalidez devido à violência doméstica do que em conseqüência de câncer, de acidentes de tráfico e da guerra
- No Brasil, cerca de 43% das mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual
- A cada 15 segundos uma mulher sofre violência física
- A Central Nacional de Atendimento à Mulher recebe 20 mil denúncias válidas por mês, sendo 60% de casos de violência doméstica
- Mais da metade da população brasileira conhece alguma mulher que já sofreu algum tipo de violência por parte de seu companheiro

Malásia: modelo condenada a receber chicotadas por beber cerveja

Uma modelo malaia de 32 anos, condenada a receber seis chicotadas por ter bebido cerveja, teve a pena suspensa de maneira temporária durante o período de Ramadã, o mês de jejum muçulmano.

Kartika Sari Dewi Shukarno, que vive há 15 anos em Cingapura, foi condenada em julho a receber seis chicotadas e a pagar uma multa equivalente a 1.400 dólares por ter bebido álcool em uma discoteca do estado malaio de Pahang, o que é proibido pela lei islâmica.
Ela é a primeira mulher condenada na Malásia a chicotadas com base na lei islâmica.
Kartika foi detida por autoridades religiosas que deveriam levá-la para uma penitenciária na região de Kuala Lumpur, onde receberia a punição. No entanto, após poucos quilômetros, o veículo que a transportava retornou e a modelo foi liberada.
"A sentença segue vigente. Ela receberá as chicotadas depois do mês do Ramadã. Foi liberada, mas apenas de forma temporária", explicou Sahfri Abdul Aziz, diretor de Assuntos Religiosos do estado de Pahang.

"Não sei o que dizer. Quero saber minha situação legal. Não sei se sou livre", afirmou a modelo.
Ela não apelou da condenação e pediu que a punição fosse pública, porque seria uma forma eficaz de ensinar aos muçulmanos a não beber.
O pai de Kartika, Shukarno Mutalib, 60 anos, recordou que a filha queria a execução da sentença.
A Anistia Internacional pediu à Malásia a abolição deste tipo de pena "cruel e degradante".
No vilarejo da família da modelo, 50 moradores se reuniram para defender Kartika.
"Me pergunto por quê Kartika vai ser chicoteada, quando muitos outros muçulmanos bebem. É uma perseguição", declarou Wan Alawiah, um homem de 64 anos.

FONTE: br.noticias.yahoo.com

ONU inclui Lei Maria da Penha entre as mais avançadas do mundo

O relatório global do Fundo de Desenvolvimento da ONU para a Mulher (Unifem), lançado no Brasil, classifica a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) como uma das três legislações mais avançadas do mundo para enfrentamento da violência contra as mulheres.

De acordo com o relatório "Progresso das Mulheres no Mundo e 2008/2009", a legislação brasileira está ao lado da Lei de Proteção contra a Violência de Gênero da Espanha (2004).
A Lei Maria da Penha foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2006. Dentre as várias mudanças promovidas pela lei está o aumento no rigor das punições das agressões contra a mulher quando ocorridas no âmbito doméstico ou familiar.
O relatório aponta como desafios urgentes a maior participação das mulheres nos espaços de poder e decisão, a garantia de políticas públicas que assegurem os seus direitos e a responsabilização do poder público em relação às políticas que as contemplem.

FONTE: Informes 6/abr/09/Ano XV nº 4211

No Dia da Mulher, ONU pede fim da discriminação

Lembrando o Dia Internacional da Mulher, a ONU faz apelo pelo combate à discriminação e pede a rejeição à violência de gênero, que, em alguns países, afeta uma em cada três mulheres. O secretário-geral da instituição, Ban Ki-moon, reiterou o compromisso do organismo com a meta de erradicar no mundo as agressões contra a mulher.

A violência de gênero é um ataque contra todos nós, contra os alicerces de nossa civilização, afirmou Ban em discurso durante o ato na sede das Nações Unidas por ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.
Ban ressaltou que as mulheres são "as que dão à luz e cuidam de nossos filhos e, em muitos lugares do mundo, são as que semeiam os cultivos que nos alimentam". As agressões sofridas pelas mulheres são uma "abominação" que entra em contradição com o significado da Carta das Nações Unidas, ressaltou.
Ele lembra que a ONU iniciou no ano passado a campanha global "Unidos para pôr fim à violência contra a mulher", que tem como meta erradicar este tipo de agressões até 2015, o mesmo ano que foi definido como marco para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
De acordo com estatísticas do organismo, uma em cada cinco mulheres foi violentada ou vítima de tentativa de estupro, enquanto em alguns países uma em cada três sofreu maus-tratos. Diante desta realidade, o secretário-geral da ONU insistiu em que os homens têm a obrigação de se mobilizar para erradicar essas práticas que perpetuam a pobreza e causam agravamento da saúde de toda a sociedade.
A violência de gênero não pode ser tolerada em nenhuma de suas expressões, sob nenhum contexto ou circunstância, nem por líderes políticos ou Governos, afirmou.
Para poder medir o avanço em direção a esta meta, a organização inaugurou uma base de dados na qual serão registradas as medidas adotadas pelos 192 países-membros da ONU para combater as agressões contra a mulher.
A diretora do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), Inés Alberdi, lembrou em mensagem institucional que a convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher (CEDAW), de 1979, já reconheceu a segregação por gênero como a raiz da violência contra as mulheres. Como consequência disso, a comunidade internacional decidiu, na Conferência Mundial de Direitos Humanos de 1993, reconhecer que os direitos das mulheres são direitos humanos, e que a violência contra elas constitui um abuso destes direitos, disse.
A organização ressaltou que 185 Estados ratificaram a CEDAW, e 90 confirmaram o Protocolo Facultativo, que fornece a indivíduos e grupos de mulheres a possibilidade de apresentar diretamente à convenção queixas relacionadas com violações a seus direitos. Em pelo menos 89 países há algum amparo legal dirigido a abordar a violência doméstica, e o estupro é, agora, considerado um crime em quase todo o mundo.
Na metade do caminho para chegar a 2015, o momento está sendo forjado – afirmou Ban.
Alberdi ressaltou que a meta pela qual as mulheres marcharam há já mais de um século por uma vida livre de pobreza e violência se estendeu a países de todo o mundo.
Em todas as partes, as pessoas acreditam que a vida dos homens e das mulheres pode ser diferente, e os Governos têm a obrigação fundamental de respeitar, proteger, cumprir e fazer cumprir os direitos humanos – acrescentou.
A Unifem aproveitou os atos para chamar a atenção à situação da população feminina no Afeganistão, país em que, oito anos depois da queda do regime dos talibãs, continua sendo um dos lugares onde ser mulher é mais perigoso no mundo.
A responsável da Unifem em Cabul, Wenny Kusuma, afirmou que, à medida que o conflito com os talibãs foi se intensificando, ocorreu um aumento da tolerância social à violência de gênero. Como consequência, cresceram os assassinatos de mulheres, os maus-tratos e os ataques com ácido.
Segundo a ONU, 87% das afegãs foram vítimas de alguma forma de maus-tratos. Além disso, as mulheres nesse país têm a menor renda per capita do planeta, e sua expectativa de vida é de 44 anos. Por outro lado, 57% se casam antes dos 16 anos, e o índice de mortalidade materna é o segundo maior do mundo.

FONTE: EFE