Segundo dados da Fundação Perseu Abramo (2002), a cada 15 segundos uma mulher é espancada no país. Pelo menos 43 % das mulheres brasileiras sofrem algum tipo de violência pelo simples fato de serem mulheres, sendo 24 % violência física, 22 % outras agressões, 13 % estupro, 27% violência psíquica, 11 % assédio sexual.
O Brasil também é o maior país católico do mundo (74 % da população, segundo o Censo de 2000, declaram-se Católicos/as), ainda que as outras religiões cristãs, como as mais variadas denominações pentecostais ou neopentecostais, venham crescendo continuamente.
Mas o que a violência contra as mulheres tem a ver com a religião?
Tudo a ver! A gente dificilmente pensa que a religião pode contribuir para que haja violência, mas pode. A gente vive hoje um período em que os fundamentalismos religiosos vêm crescendo. Isso significa que também o conservadorismo moral e a rigidez de costumes estão se fortalecendo a partir da religião. Com isso, a desigualdade entre homens e mulheres também é justificada e aumenta, o que incentiva e reforça a violência contra as mulheres.A religião age no plano simbólico. Isso significa que certos modelos de comportamento, papéis sociais e formas de relacionamento são incentivados pela religião, os quais vão sendo internalizados pelas pessoas e acabam formando a maneira de pensar da sociedade, ou seja, criam uma mentalidade, uma cultura. O modelo predominante de família que é imposto como único aceitável na nossa cultura – casal heterossexual com filhos e mulher submetidos ao pai e marido - vem em grande parte das religiões, especialmente as de base cristã.
Como a cultura brasileira é fortemente influenciada pela visão cristã do mundo, o papel social que mulheres e homens desempenham na nossa sociedade está diretamente relacionado a essa mentalidade religiosa. As religiões cristãs são patriarcais (aquelas nas quais os homens têm poder, mas as mulheres não) e têm legitimado com suas idéias a dominação das mulheres, associando-as ao mal, à desordem e à fraqueza moral. Isso significa que, culturalmente, as mulheres estão sempre sujeitas a uma punição que, por tais idéias, seria natural e necessária. Isso incentiva a violência!
Como isso acontece na prática?
A violência se instala na nossa cultura pela associação mulher-mal, justificando assim a desqualificação e exclusão das mulheres dos espaços de poder e decisões na sociedade. Por exemplo: Eva, uma mulher, é vista como a causa de todos os problemas que enfrentamos hoje, já que teria sido ela quem causou a expulsão da humanidade do Paraíso. Essa interpretação do mito de Adão e Eva acaba colocando a mulher como responsável por coisas ruins, inclusive as que acontecem com ela. Quem nunca ouviu, quando alguma mulher sofre algum tipo de violência como estupro, que alguma coisa ela fez para merecer aquilo?Um outro grande problema quanto ao enfrentamento da violência contra as mulheres é a forma como se desenvolvem as relações afetivas entre homens e mulheres no Brasil. A forma de manifestar a afetividade nas relações familiares na nossa sociedade está permeada por idéias religiosas que naturalizam a violência de contra as mulheres. Tais idéias são subliminares, ou seja, são transmitidas sem a gente perceber, e são aceitas em função da manutenção da família, o que dificulta que as mulheres denunciem seus companheiros quando eles as agridem.
Outra idéia cristã bastante presente na nossa sociedade é a de que o sacrifício é um caminho para a salvação, o que ajuda a manter as mulheres submetidas à violência. A idéia de que “essa é a vontade de Deus” leva muitas mulheres a pensar que a violência é natural e que não tem outro jeito de viver. Essa violência simbólica justifica e legitima as outras formas de violência – física, sexual e psicológica - e é praticamente ignorada pela maioria das pessoas.
O que é violência simbólica?
Violência simbólica é uma forma de coação invisível que se apóia em crenças e preconceitos coletivos. Ela se baseia na contínua construção de crenças nos processos de socialização, o que faz uma pessoa perceber e a avaliar o mundo seguindo critérios e padrões do discurso dominante. A violência simbólica é um tipo de dominação cultural que ofende a dignidade e desrespeita os direitos do/a outro/a.O que fazer?
Para contribuir com a desconstrução destas idéias que conformam a cultura brasileira, propomos realizar atividades culturais e artísticas que atinjam diferentes públicos e que visibilizem o problema, promovendo, desta forma, a divulgação e a popularização de idéias ético-religiosas que possam colaborar na construção de uma cultura de não violência, com ênfase no fim da violência contra as mulheres.Nesta página, você vai encontrar informações importantes sobre a violência contra as mulheres no Brasil e também sobre ações e maneiras para enfrentar esse terrível mal que afeta milhões de mulheres em nosso país.
Junte-se a nós! Participe, mande-nos informações, sugestões, idéias, ações. Vamos mostrar que a desigualdade entre homens e mulheres é inaceitável e que não podemos mais tolerar nenhum tipo de violência!
FONTE: http://sededeque.com.br

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